O leitor Jorge encontrou uma lagarta em Covide (Terras de Bouro), no Gerês, a 2 de outubro e pediu ajuda para identificar a espécie. José Manuel Grosso-Silva responde.
“Durante um trilho no gerês (Covide) encontrámos esta espécie interessante que gostaríamos de identificar”, escreveu o leitor à Wilder.


Trata-se da borboleta broca-vermelha (Cossus cossus).
Espécie identificada por: José Manuel Grosso-Silva, responsável pelas colecções entomológicas do Museu de História Natural e da Ciência (Universidade do Porto).
Esta é uma lagarta da borboleta noturna da espécie Cossus cossus, conhecida pelo nomes comuns broca-vermelha ou broca-da-madeira, entre outros.
As lagartas de Cossus cossus crescem até atingir 9 a 10 centímetros de comprimento. Desenvolvem-se em troncos de inúmeras árvores, incluindo castanheiros e macieiras, escavando galerias profundas para se alimentarem da madeira. Por esse motivo, por vezes, são consideradas uma praga por fruticultores e outros produtores agrícolas.
Na fase de lagarta, esta espécie pode chegar a viver cinco anos antes de passar à fase de pupa, altura em que abandonam as árvores para procurarem um local ali perto, no solo.
Finalmente, quando emergem como borboletas adultas, são grandes e robustas e da cor da madeira dos troncos. No entanto, em adultas não se conseguem alimentar, pois não possuem uma probóscide bem desenvolvida. Esta é a parte da boca das borboletas que parece uma tromba ou palhinha. Por esse motivo vivem pouco tempo nessa fase, o suficiente para se reproduzirem e depositarem os seus ovos em troncos de árvores.

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