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Primavera

Caderno de campo: 15 espécies para procurar nesta estação

23.04.2026
leitura de 9 minutos
Borboleta cauda-de-andorinha (Papilio machaon). Foto: Dino/Wiki Commons

Estas são algumas das espécies que podemos observar durante a Primavera. Vamos procurar estas e outras espécies e anotá-las no Caderno de Campo Wilder, na tabela: o nome, a data e o local da observação.

Abelharuco (Merops apiaster):

Abelharuco (Merops apiaster). Foto: Wolfgang Vogt/Pixabay

Os abelharucos são das aves mais coloridas da nossa fauna e podem ver-se mais facilmente no Sul e Interior Centro do país. São mais fáceis de observar enquanto constroem os ninhos e na fase em que alimentam as crias, mas é necessário ter muito cuidado para não os perturbar na época de reprodução.

Segundo Joana Costa, cientista que tem trabalhado na investigação sobre estes aves migradoras, é comum observarmos abelharucos “perto de barreiras de areia, barro ou argila, situadas à beira de rios ou ribeiras, ou até em barreiras junto à estrada ou areeiros abandonados. Podemos observá-los a perseguir insectos em áreas abertas ou pousados nos fios eléctricos ou ramos de árvores.”

O nome comum destas aves, e também o nome científico apiaster, devem-se precisamente ao facto de comerem abelhas, entre outros insectos. Os abelharucos que observamos em Portugal costumam chegar entre o final de Março e o mês de Abril, depois de passarem o Inverno na África Ocidental, concluiu recentemente um grupo de cientistas que estudaram seu o voo.

Abelhão-comum (Bombus terrestris):

Abelhão-comum (Bombus terrestris). Foto: Alvesgaspar/Wiki Commons

Esta é uma das espécies de abelhões que podemos observar em Portugal e pode ser identificado pelas duas faixas amarelas vistosas e pelos pelinhos brancos que apresentam na extremidade. Os abelhões fazem parte do grupo das abelhas e vivem em colónias. São também importantes polinizadores.

As rainhas emergem no fim do Inverno e começam a fundar novas colónias de abelhões utilizando para isso buracos no subsolo, muitas vezes tocas de roedores abandonadas. Para isso, precisam de energia em abundância, pelo que podemos vê-las a alimentar-se de néctar nas flores, tendo particular preferência pelas flores da borragem. Quando já têm obreiras suficientes na colónia, são estas que passam a desempenhar esse papel.

Os abelhões-comuns estão muito ativos durante a manhã e final da tarde, evitando as horas de maior calor. São muitos os locais onde podemos ver esta espécie.

Andorinhões (Apus sp.):

Andorinhão-pálido (Apus pallidus). Foto: Bogbumper/Wiki Commons

É na Primavera que estas aves espantosas chegam ao território português, onde podemos observá-las em muitas localidades nos seus voos sobre os telhados – um dos locais preferidos para fazerem os ninhos – ao mesmo tempo que ouvimos os seus chamamentos agudos. O andorinhão-preto (Apus apus) e o andorinhão-pálido (Apus pallidus) são as espécies de andorinhão mais fáceis de observar e são muitas vezes confundidos com andorinhas, embora não sejam sequer parentes próximos.

Uma das características mais curiosas dos andorinhões é que passam praticamente toda a vida a voar, mesmo enquanto dormem. Na verdade, isso só não acontece na altura da nidificação, em que precisam de cuidar dos ovos e das pequenas crias. Estas últimas por vezes caem do ninho e precisam de ajuda. Se encontrar uma destas aves, o melhor a fazer é encaminhá-las o mais depressa possível para um dos centros de recuperação de animais selvagens do país.

Conheça três espécies de andorinhões em Portugal e aprenda como identificá-las.

Alvéola-amarela (Motacilla flava):

Alvéola-amarela (Motacilla flava). Foto: Dts3ds/Wiki Commons

Esta é uma das mais coloridas aves portuguesas. Os machos adultos têm uma plumagem amarela no peito e no ventre e a cabeça azulada. Nas fêmeas as cores são menos vivas e os juvenis são mais acastanhados.

“A chegada das primeiras alvéolas-amarelas representa, tal como a das andorinhas, um dos primeiros sinais de que a Primavera está próxima”, diz Gonçalo Elias, responsável pelo portal Aves de Portugal. Esta ave é um dos migradores estivais mais precoces. As primeiras alvéolas-amarelas chegam a Portugal ainda em Fevereiro, sobretudo na última semana, depois de passarem o Inverno na África subsariana.

Nidificam praticamente por toda a Europa, em ninhos no solo. É uma pequena taça feita de ervas”, explica Gonçalo Elias.

Em Portugal, este ornitólogo sugere como bons sítios para procurar esta ave “as terras baixas do Litoral, desde o Minho ao Algarve, nomeadamente junto a estuários, lagoas costeiras, ou grandes várzeas”. Aí, estas alvéolas frequentam sapais, arrozais, terrenos encharcados ou prados húmidos.

Borboleta cauda-de-andorinha (Papilio machaon):

Borboleta cauda-de-andorinha (Papilio machaon). Foto: Dino/Wiki Commons

Vistosa e inconfundível, a borboleta cauda-de-andorinha é uma das espécies que se podem ver um pouco por todo o país, mesmo nas cidades.

Logo depois de eclodirem, as lagartas desta espécie assemelham-se a um pequeno excremento de pássaro, evitando assim ser comidas. Passado algum tempo, depois de algumas mudas, ganham finalmente cores mais vistosas – em tons verdes, pretos e laranjas – que servem de aviso sobre o seu mau sabor. Alimentam-se das folhas tenras das arrudas (Ruta sp.) e de plantas da família Apiaceae, que inclui espécies como o funcho, a salsa e a cenoura.

Os adultos surgem três semanas depois da formação da crisálida, ou após os meses frios do Inverno.

Crias de pato-real (Anas platyrhynchos):

Crias de pato-real (Anas platyrhynchos). Foto: New Jersey Birds/Wiki Commons

Antepassado do pato doméstico, este é o pato mais comum em Portugal, onde é uma espécie residente – ou seja, mantém-se por aqui todo o ano. Segundo o “Guia de Aves” da autoria de Lars Svensson, os patos-reais reproduzem-se em parques, canais de cidades, lagos, charcas, entre outros locais.

Quase sempre o ninho é construído no chão, em sítios próximos da água e escondidos pela vegetação. A fêmea, de penugem acastanhada, utiliza materiais naturais para o local onde vai incubar os ovos – entre nove a 13 ovos, normalmente. As crias nascem quase um mês depois e começarão a voar passados cerca de 50 dias.

Descubra porque são os machos de pato-real mais coloridos do que as fêmeas.

Esteva (Cistus ladanifer):

Esteva (Cistus ladanifer). Foto: Alvesgaspar/Wiki Commons

A esteva é uma das flores típicas da paisagem mediterrânica que é incontornável para procurar na Primavera.

As estevas podem chegar até aos três metros de altura e enchem-se de grandes flores brancas entre Março e Maio.

Em Portugal, esta espécie ocorre espontaneamente um pouco por todo o território continental, mas com maior incidência no Centro e Sul do país e no arquipélago da Madeira, onde foi introduzida.

Procure-a em zonas com exposição solar plena, em especial em matos xerófilos, terrenos incultos e degradados e no subcoberto de sobreirais, azinhais ou pinhais. 

Flores brancas do pilriteiro (Crataegus monogyna):

Pilriteiro (Crataegus monogyna). Foto: Helge Klaus Rieder/Wiki Commons

O pilriteiro é um arbusto espinhoso com floração primaveril bastante comum em Portugal.

Nas primeiras semanas de Primavera este arbusto ou pequena árvore enche-se de pequeninas flores brancas ou em tons rosa. Mas são dias que acabam depressa, pois só duram entre Abril e Maio. No final do Verão, estas flores são fecundadas e dão lugar a pequenos frutos vermelhos.

É uma espécie espontânea da Europa que gosta de sítios húmidos e sombrios. Para o distinguir de outros arbustos com flor semelhante, tenha atenção ao recorte das folhas.

É uma espécie bastante resistente e robusta e pode viver até 500 anos de idade, conta-nos Carine Azevedo. 

Um bom local para apreciar todo o esplender dos pilriteiros em flor é a mancha de pilriteiros de porte arbóreo no Campo do Gerês, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Flores amarelas do tojo (Ulex europaeus):

Tojo (Ulex europaeus). Foto: Jacques Petiot/Wiki Commons

O tojo, também conhecido como carqueja ou pica-rato, é uma das 10 espécies nativas do género Ulex que ocorrem em Portugal.

É um arbusto espinhoso, originário da Península Ibérica. Em Portugal, pode encontrá-lo em muitos locais variados, incluindo orlas de bosques, taludes de estradas e campos agrícolas abandonados.

As pequenas flores amarelas do tojo são mais comuns nos primeiros meses do ano, até meados de Maio, e também em Outubro e Novembro.

Joaninha-de-sete-pontos (Coccinella septempunctata):

Joaninha-de-sete-pontos. Foto: Syrio/Wiki Commons

Esta bem conhecida joaninha será a mais comum entre as joaninhas da Europa.

Apesar de ser pequeno, com cerca de seis milímetros, este animal destaca-se entre a vegetação graças à sua cor vermelha.

As joaninhas surgem durante a Primavera, mais concretamente a partir de Março, um pouco por todo o país. Passam os meses mais frios do ano juntas, abrigadas em locais adequados à hibernação.

Esta é uma espécie muito apreciada por quem cultiva hortas e campos, já que tanto adultos como larvas são vorazes predadores de pragas como os afídeos.

Lebre-comum (Lepus europaeus):

Lebre-comum (Lepus europaeus). Foto: Visaswises/Wiki Commons

A lebre-comum, também conhecida como lebre-europeia, é um regalo para os olhos de quem tiver a sorte de a observar nos campos de Portugal. É especialmente provável de a encontrar em zonas agrícolas pouco humanizadas. Mas será preciso alguma paciência, já que este mamífero tão icónico tem uma coloração mimética para se dissimular na paisagem.

Ao contrário do coelho-bravo, a lebre abriga-se em tocas pouco profundas, viradas sempre para um ponto de saída estratégica em caso de ataque de seus predadores.

Mergulhão-de-crista (Podiceps cristatus):

Mergulhão-de-poupa (Podiceps cristatus). Foto: Frank Vassen/Wiki Commons

A parada nupcial do mergulhão-de-crista – que acontece na Primavera, a partir de Março – é uma das mais espectaculares de entre as aves em Portugal. É uma exuberante dança, em que macho e fêmea abanam a cabeça, esticam os pescoços e se erguem espalhafatosamente na água.

Estas paradas podem ser observadas nas albufeiras, lagos, açudes e barragens do interior do país.

O mergulhão-de-crista exibe, na Primavera, um longo pescoço branco, sendo esta a característica que mais se destaca. “Como o seu nome indica, esta é uma ave que mergulha e que desaparece frequentemente da vista, podendo reaparecer num ponto diferente do plano de água”, explica o portal Aves de Portugal. Nesse portal poderá informar-se sobre os melhores locais para observar esta ave em cinco regiões de Portugal.

Orquídeas silvestres (família Orchidaceae):

Orquídea erva-abelha (Ophrys apifera). Foto: Nilfanion/Wiki Commons

A variedade impressiona e são muitas as razões para as procurar. Tem mais de 60 espécies de orquídeas à sua espera, um pouco por todo o país.

As orquídeas distinguem-se pela forma: todas têm três sépalas e três pétalas. Uma das pétalas, a que se chama labelo, costuma sobressair.

Procure-as em clareiras iluminadas pelos raios do sol – já que quase todas as espécies de orquídeas detestam a sombra e a falta de luz – e em terrenos descampados e incultos.

Algumas áreas protegidas são locais onde pode encontrar muitas destas plantas. Experimente visitar, por exemplo, o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, o Parque Natural de Sintra-Cascais, o Parque Natural da Arrábida, a Paisagem Protegida Local da Rocha da Pena e a Paisagem Protegida Local da Fonte Benémola.

E agora uma recomendação importante: nunca, mas mesmo nunca, se deve apanhar uma orquídea. Tal significa que essa planta já não se vai conseguir reproduzir.

Papoila (Papaver rhoeas):

Papoila (Papaver rhoeas). Foto: Armennano/Pixabay

As papoilas, com o seu aspeto frágil e beleza efémera, alegram qualquer paisagem portuguesa, salpicando-a de cor.

Esta é uma espécie que ocorre um pouco por todo o país, em searas, pousios, pastagens, prados, montados ou olivais. Por vezes comporta-se como ruderal em bermas de caminhos, baldios e entulhos. 

É uma das espécies utilizadas no dia da Espiga e simboliza o amor e a vida. Existem várias espécies de papoilas no nosso país, pelo que para termos a certeza de estar frente a uma Papaver rhoeas devemos confirmar que a parte superior dos pedúnculos apresenta pêlos algo rígidos e patentes (perpendiculares).

Esta planta de ciclo de vida curto não tarda a tornar-se rara, como muitas outras “ervas daninhas” indesejadas. O desaparecimento desta e de outras espécies de plantas pode levar também ao desaparecimento de muitos polinizadores. 

A botânica Carine Azevedo explicou recentemente na Wilder tudo sobre a papoila.

Rã-verde (Pelophylax perezi):

Rã-verde (Pelophylax perezi). Foto: Juan Lacruz/Wiki Commons

Não será difícil encontrar e conseguir ver esta rã, já que se acredita ser o anfíbio mais comum em Portugal. Está presente em todo o território português e é uma espécie nativa e endémica da Península Ibérica.

Como nem todos os exemplares são verdes, e podem ter uma grande variedade de coloração, pode pensar que não é uma “rã-verde”, mas esta variabilidade nas cores é muito comum nos anfíbios.

Mas todos os indivíduos têm duas pregas de pele longitudinais que vão desde o olho até à inserção da pata posterior. 

Este anfíbio atinge facilmente 7,5 centímetros, podendo chegar aos 10 centímetros de comprimento.

Quer ouvir uma rã verde?


Artigo originalmente publicado em 28 de abril de 2021.

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