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Aves britânicas e paisagens ancestrais vencem Prémios Wainwright 2026

22.09.2026
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Foto: Wainwright Prizes 2026

The Book of Birds, do escritor Robert Macfarlane e ilustrado por Jackie Morris, foi distinguido como Livro do Ano dos Wainwright Prize 2026. Os prémios que distinguem a literatura de natureza no Reino Unido foram anunciados a 17 de setembro.

Os vencedores desta edição dos Prémios Wainwright, uma das principais distinções britânicas dedicadas à escrita sobre natureza e conservação, foram anunciados numa cerimónia realizada na reserva natural de Elmley, no condado britânico de Kent.

The Book of Birds, de Jackie Morris e Robert Macfarlane, foi escolhido como o Livro do Ano. Este foi descrito pelo júri como um “livro absolutamente belo, para guardar”, com destaque para a extraordinária cumplicidade entre Jackie Morris e Robert Macfarlane.

A obra é um apelo à ação perante o declínio das espécies de aves ameaçadas na Grã-Bretanha. Em vez de perguntar simplesmente o que é uma determinada ave, os autores propõem uma pergunta diferente: “quem” é essa ave?

Para Robert Macfarlane, esta é a segunda vitória nos Wainwright Prize. O escritor recebeu o prémio em 2019 por Underland. Em 2018, Macfarlane e Jackie Morris tinham sido finalistas com The Lost Words. Esta é, no entanto, a primeira vez que Morris vence o prémio.

Otherlands: An Illustrated Journey Through Earth’s Lost Worlds, de Thomas Halliday, com ilustrações de Gavin Scott, recebeu o prémio de Livro do Ano na categoria infantil. Esta é uma adaptação para leitores mais jovens do livro homónimo de Thomas Halliday, que foi muito elogiado na edição de 2022 dos Wainwright Prize.

A obra leva os leitores numa viagem ilustrada através do tempo e apresenta algumas das formas de vida que habitaram o planeta antes da existência dos seres humanos.

O júri considerou o livro uma obra de grande conhecimento científico e descreveu-o como um “clássico infantil inovador”, com potencial para permanecer relevante durante décadas.

Criados em 2014, os Prémios Wainwright distinguem anualmente obras que refletem os valores associados ao seu patrono, Alfred Wainwright, escritor e ilustrador britânico conhecido pelos seus livros sobre as paisagens do Reino Unido. Os prémios procuram celebrar a natureza e o ambiente, promover o respeito pelo planeta e chamar a atenção para as ameaças que este enfrenta.

Na edição deste ano foram distinguidas seis categorias.

O prémio na categoria Escrita de Natureza foi atribuído a Ancient: Reviving the Woods That Made Britain, de Luke Barley, um livro dedicado às antigas florestas britânicas e à importância de recuperar a ligação das pessoas com estes ecossistemas.

Na categoria de Escrita de Conservação, venceu The Savage Landscape: How We Made the Wilderness, de Cal Flyn, que questiona a forma como os lugares mais remotos e selvagens do planeta são encarados, valorizados e protegidos.

O prémio de Livros Ilustrados voltou a distinguir The Book of Birds, de Jackie Morris e Robert Macfarlane.

Entre os livros para crianças, The Danger of Small Things, de Caryl Lewis, venceu na categoria de Ficção. A obra imagina um mundo distópico onde as abelhas desapareceram, um cenário ficcional que, segundo os organizadores, não está assim tão distante da realidade, tendo em conta o declínio das populações de abelhas.

Na categoria de literatura infantil de não ficção, o vencedor foi Otherlands: An Illustrated Journey Through Earth’s Lost Worlds, de Thomas Halliday, com ilustrações de Gavin Scott.

Já o prémio de Livros Infantis Ilustrados foi atribuído a The Great Bear, de Annie Booker, uma obra que aborda o impacto da atividade humana sobre a natureza do Ártico e a forma como esta pode ser protegida.

“A escrita sobre natureza e conservação nunca foi tão vital”

Alastair Giles, diretor dos Wainwright Prize, felicitou todos os autores e ilustradores que integraram as listas de candidatos, finalistas e vencedores.

“Os livros deste ano mostram, uma vez mais, como a escrita sobre natureza e conservação se tornou vital e vibrante, não apenas enquanto forma de expressão criativa, mas também como força de mudança”, afirmou, em comunicado.

À medida que os desafios ambientais e sociais se tornam mais urgentes, acrescentou, é inspirador ver escritores utilizarem as suas vozes para aprofundar a ligação das pessoas ao mundo natural.

“Os Wainwright Prize continuam a apoiar aqueles que nos recordam que contar histórias pode ser um passo poderoso em direção à consciência, à ação e, em última análise, à esperança”, concluiu.

Os júris das seis categorias foram liderados por Michael Malay, vencedor dos Wainwright em 2024, na categoria de Escrita de Natureza; Phoebe Weston, jornalista de biodiversidade do jornal The Guardian, em Escrita de Conservação; Errol Reuben Fernandes, responsável pela horticultura no Horniman Museum, em Livros Ilustrados; Mya Rose-Craig, ornitóloga, ativista e autora, em Escrita Infantil de Não Ficção; Abi Elphinstone, autora de livros infantis, Ficção Infantil; e Ash Bhardwaj, jornalista, autor e contador de histórias, em Livros Infantis Ilustrados.

Cada um dos livros vencedores do prémio principal recebeu 2500 libras (cerca de 2900 euros), enquanto os vencedores das categorias receberam 500 libras (cerca de 582 euros).

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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