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Origem de muitos anfíbios e répteis europeus remonta há 16 milhões de anos, descobre estudo

30.07.2026
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Um estudo internacional que analisou quase 4.700 fósseis de anfíbios e répteis encontrados no leste de Espanha concluiu que muitas das linhagens que atualmente compõem a fauna europeia já estavam estabelecidas há cerca de 16 milhões de anos.

Os investigadores analisaram 4.690 restos fósseis provenientes de 42 jazidas da Bacia de Ribesalbes-Alcora, numa região costeira de Castellón. Esta é considerada uma das regiões mais importantes da Península Ibérica para o estudo da fauna do Miocénico.

Um dos registos fósseis analisados neste estudo.

A partir destes fósseis foi possível reconstruir os ecossistemas existentes há cerca de 16 milhões de anos e compreender melhor como evoluíram as comunidades de anfíbios e répteis que conhecemos atualmente.

O trabalho, publicado na revista científica Fossil Record, reuniu investigadores de Portugal e Espanha, entre eles o paleontólogo Vicente D. Crespo, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCT) e do Museu da Lourinhã.

No total, a equipa identificou 21 táxones, incluindo salamandras, sapos, crocodilos, tartarugas, lagartos e serpentes.

Segundo os autores, “os resultados mostram que muitas das linhagens que atualmente fazem parte da fauna europeia já estavam estabelecidas durante o Miocénico Inferior, um período crucial para a formação dos ecossistemas modernos”, segundo um comunicado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova. 

Um género poderá ser muito mais antigo do que se pensava

Uma das descobertas mais interessantes do estudo, dizem os investigadores, é a possível identificação do género Pyrenasaurus. Até agora, este género era conhecido apenas em depósitos muito mais antigos, datados do Eocénico.

“Caso esta identificação seja confirmada, o registo prolongará significativamente a história evolutiva deste grupo, sugerindo uma maior estabilidade ecológica em determinadas regiões da Península Ibérica do que se pensava anteriormente.” 

Os fósseis também permitiram ainda estimar as condições climáticas da época. “As análises indicam que a região onde hoje se situa o leste de Espanha era, em muitos períodos, consideravelmente mais húmida do que atualmente”, sublinham. Os níveis de precipitação eram geralmente superiores aos atuais, “alternando entre fases mais húmidas e períodos relativamente mais secos, em concordância com estudos anteriores realizados sobre os mamíferos fósseis da mesma bacia”. 

Para Vicente D. Crespo, este trabalho ajuda a preencher uma lacuna importante no conhecimento da evolução dos anfíbios e répteis da Península Ibérica.

“O objetivo é ajudar a preencher um dos maiores vazios de conhecimento sobre a evolução dos anfíbios e répteis na Península Ibérica, sendo mais um passo na reconstrução dos ecossistemas do Miocénico Ibérico, integrando agora estas espécies com os numerosos estudos anteriormente desenvolvidos sobre mamíferos fósseis da Bacia de Ribesalbes-Alcora”, afirma o paleontólogo, citado em comunicado.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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