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SPEA, LPN e WWF acusam UE de adiar travão à destruição das florestas

20.03.2026
leitura de 2 minutos
Foto: Helena Geraldes

Para assinalar o Dia Internacional das Florestas, que se celebra este sábado, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA BirdLife), a WWF Portugal e a Liga para a Proteção da Natureza (LPN) perguntam: que valor tem esta efeméride se a União Europeia continua a adiar e a enfraquecer uma das leis mais importantes para travar a destruição das florestas a nível global? 

Em causa está o Regulamento da UE para Produtos Livres de Desflorestação (EUDR na sigla em inglês). Esta é a primeira legislação mundial para impedir a entrada no mercado de produtos ligados à desflorestação.

Mas, lamentam estas três organizações, este Regulamento “está sob crescente pressão política, com atrasos sucessivos e propostas de revisão que arriscam torná-lo ineficaz”. 

“A União Europeia criou um regulamento histórico, que poria a Europa mais uma vez na vanguarda da proteção do futuro do planeta. Agora corremos o risco de comprometer o impacto deste regulamento antes de ele entrar sequer em vigor” disse, em comunicado, Pedro Neto, diretor executivo da SPEA BirdLife. 

Apesar de mais de um milhão de cidadãos e de 160 organizações da sociedade civil terem manifestado o seu apoio a uma implementação robusta desta lei, a sua aplicação foi já adiada por 12 meses. Agora está prevista apenas para o final de 2026.

O adiamento inclui uma revisão da lei, que deverá ocorrer até ao final de abril. Segundo estas organizações, estão em discussão alterações que reduzem as exigências para vários tipos de empresas e abrem a porta a mais fragilizações. 

“O custo destes atrasos é real e mensurável. A cada minuto, cerca de 100 árvores são derrubadas para satisfazer o consumo da União Europeia”, escreve a SPEA Birdlife.

Entre 2021 e 2023, o consumo europeu de produtos como cacau, carne de vaca, óleo de palma, soja, café, borracha e madeira esteve associado à destruição de 149 milhões de árvores em todo o mundo.  

A aplicação efetiva da lei poderia salvar quase 50 milhões de árvores logo no seu primeiro ano, ao remover do mercado da União Europeia produtos ligados à desflorestação. 

A plena implementação do Regulamento até 2035 poderia evitar 387 milhões de toneladas de emissões, o equivalente a retirar mais de 80 milhões de carros da estrada durante um ano, segundo as contas destas organizações. 

“Este é mais um momento em que a União Europeia tem de escolher entre liderar ou ceder”, desafia Sofia Almeida, Técnica de Políticas da WWF Portugal. “A lei existe, o apoio público é claro. Falta agora a vontade política para a aplicar com ambição e integridade.” 

Neste Dia Internacional das Florestas, a SPEA BirdLife, a WWF Portugal e a LPN apelam à União Europeia, e em particular aos representantes eleitos por Portugal, para que mantenham a ambição desta legislação e avancem sem mais atrasos ou cedências. 

Para exigir que o Regulamento e as restantes leis europeias de proteção do ambiente não sejam cortadas ou enfraquecidas, as organizações de ambiente lançaram, em conjunto com a coligação internacional #HandsOffNature, uma petição que conta com mais de 358.000 assinaturas. 

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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