O governo Regional da Madeira recuou na decisão de pavimentar um caminho em plena floresta Laurissilva da Madeira, uma decisão saudada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA Birdlife).
O projeto previa a pavimentação de um caminho de terra batida que liga o sítio das Ginjas, em São Vicente, e o Paul da Serra, em plena Floresta Laurissilva da Madeira, área classificada como Património Mundial Natural pela UNESCO e integrada na Rede Natura 2000.
“Esta decisão representa uma vitória significativa para a conservação da natureza na Região Autónoma da Madeira e evidencia a importância da intervenção técnica, cívica e jurídica na defesa de áreas ambientalmente sensíveis”, comentou a organização de conservação da natureza em comunicado divulgado a 17 de fevereiro.
“A decisão agora anunciada demonstra que vale a pena defender o nosso património natural com base em argumentos científicos sólidos e na lei”, disse Cátia Gouveia, coordenadora regional da SPEA. “A Laurissilva é um património único à escala mundial e não pode ser sujeita a intervenções que coloquem em risco a sua integridade ecológica.”
Segundo a SPEA Birdlife, o Caminho das Ginjas insere-se numa zona de elevado valor ecológico, onde ocorrem habitats prioritários e espécies endémicas particularmente sensíveis à fragmentação e à intensificação da pressão humana.
A SPEA reafirma que continuará atenta a quaisquer desenvolvimentos futuros relacionados com esta área e disponível para colaborar na definição de soluções que promovam o usufruto responsável da natureza, compatível com a conservação dos valores naturais que distinguem a Madeira no contexto europeu e mundial.
“O desenvolvimento regional não pode ser feito à custa do património natural. A proteção da Laurissilva é uma responsabilidade coletiva e uma herança que devemos preservar para as próximas gerações”, acrescentou Cátia Gouveia.
A área alvo do projecto foi alvo de um projecto de conservação realizado entre 2013 e 2017, o LIFE Fura-Bardos, financiado por fundos comunitários, que teve como objectivo regenerar a floresta Laurissilva e reduzir a sua fragmentação. Em 2021, 11 organizações não governamentais de defesa do Ambiente assinaram um comunicado conjunto onde sublinharam que, a ser aprovado, o projeto de alteração do caminho teria o efeito contrário.
A floresta Laurissilva da Madeira abriga inúmeras espécies de plantas e animais endémicas da Madeira e da Macaronésia, muitas delas ameaçadas.