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Estudo: preferência das aves por frutos raros ajuda a manter a biodiversidade

12.02.2026
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Foto: CFE

A preferência das aves frugívoras por frutos raros tem um papel fundamental na manutenção da diversidade de plantas, conclui um novo estudo internacional, liderado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Universidade de Coimbra (FCTUC), publicado na revista Current Biology

Durante 12 anos, investigadores das universidades de Coimbra, Porto (Associação BIOPOLIS) e Córdoba (Argentina), analisaram os comportamentos das aves numa floresta de Coimbra. Estudaram, mais concretamente, a composição nutricional e energética dos frutos e a densidade de outras plantas e como isso influencia as escolhas alimentares das aves e os serviços que estas prestam na dispersão de sementes. 

Os resultados, publicados a 9 de fevereiro na revista científica Current Biology, mostram que as aves frugívoras preferem frutos raros, com características nutricionais mais distintivas em relação à vizinhança.

Os especialistas verificaram ainda que as plantas beneficiam da proximidade de outras plantas com frutos, uma vez que assim conseguem atrair mais aves dispersoras de sementes para a mesma área. 

“Esta preferência que as aves têm para comer frutos raros e dispersar as suas sementes mostra a importância das interações entre as espécies para a diversidade das plantas”, comentou, em comunicado, Guadalupe Peralta, primeira autora do estudo e investigadora do Instituto Multidisciplinario de Biología Vegetal, CONICET, da Universidad Nacional de Córdoba. 

Segundo os autores, esta investigação fornece a primeira evidência empírica de que a tendência das aves para complementarem as suas dietas com nutrientes e frutos raros é um mecanismo importante para favorecer a dispersão de sementes das espécies localmente raras, contribuindo assim para a manutenção da biodiversidade vegetal à escala regional.

“É extraordinário que o simples facto de as aves tentarem diversificar a sua dieta, consumindo os frutos mais raros e estranhos que encontram, ajude essas plantas a não serem eliminadas por outras mais comuns e competitivas”, disse Ruben Heleno, professor do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra) e investigador do CFE. “Num certo sentido isto faz das aves as defensoras dos fracos e oprimidos na natureza e zeladoras da biodiversidade.”

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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