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Depressão Kristin atinge centro de recuperação de animais selvagens em Castelo Branco

30.01.2026
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Corujas-das-torres no CERAS. Foto: Samuel Infante/arquivo

O CERAS (Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens) da Quercus, em Castelo Branco, com 18 animais em recuperação, foi afectado pela depressão Kristin que destruiu, nomeadamente, alguns dos túneis de voo.

A depressão Kristin que desolou o país causou danos nas instalações do CERAS onde hoje estão 16 aves e dois cágados-mediterrânicos em recuperação.

“Muitas das nossas árvores caíram e partiram-se, inutilizando dois dos nossos túneis de voo e danificando muitas instalações”, segundo o CERAS. “A nossa ‘jóia da coroa’, o túnel dos abutres, de dimensões consideráveis para alojar este grupo de animais, está completamente destruído”.

Contactado esta tarde pela Wilder, o CERAS comentou que “os animais estavam muito stressados hoje de manhã mas estão em segurança, em instalações provisórias no espaço do centro”. Um dos túneis de voo, com redes de 12 metros de altura, ficou destruído por causa da queda de uma árvore.

Entre as aves que estão no centro está um abutre-preto, duas corujas-do-mato, duas águias-de-asa-redonda, uma cegonha-branca e um milhafre-preto.

“Os nossos animais sairam ilesos, mas encontram-se agora em instalações precárias menos adaptadas para as suas condições.”

Para tentar “remediar da melhor forma os estragos”, e antes da chegada de mais mau tempo, prevista para a partir de domingo, a equipa do CERAS apela às pessoas que quiserem ajudar que se juntem a uma ação de voluntariado a acontecer a 31 de janeiro na Escola Agrária de Castelo Branco. O objetivo é preparar as instalações o melhor possível “para o que se aproxima, enquanto tentamos salvar o que perdemos e continuamos o trabalho diário do centro”.

Ao mesmo tempo pede fundos e donativos para reconstruir o que se perdeu com a depressão Kristin. O donativo poderá ser feito em quercus.pt/apadrinhamentos.

“Vai ser um processo longo e vai afetar o nosso trabalho, principalmente na área das grandes necrófagas, em que o nosso centro se destaca, mas estamos confiantes que voltaremos a poder dar a estes animais a melhor hipótese de devolução à Natureza, onde pertencem.”


Se quiser ajudar, pode contactar o CERAS através do número de telemóvel 963 957 669 ou do email [email protected].

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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