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Trump retira EUA da União Internacional de Conservação da Natureza e de outras 65 organizações

08.01.2026
leitura de 2 minutos
Águia-de-cabeça-branca. Foto: Andy Morffew/WikiCommons

O Presidente norte-americano anunciou a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, tratados e convenções, incluindo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, sigla em Inglês).

Donald Trump assinou esta quarta-feira, 7 de janeiro, uma Ordem Executiva que retira o país de “organizações internacionais, convenções e tratados que são contrários aos interesses dos Estados Unidos”. Como consequência, termina a participação e o financiamento norte-americano a essas organizações.

A ordem do Presidente é de que todas as agências e departamentos norte-americanos “tomem medidas imediatas para efectuar a retirada dos Estados Unidos” das organizações em causa.

Entre elas estão o IPCC e a UICN, o maior organismo mundial de conservação da natureza, mas também a Plataforma Intergovernamental sobre a Biodiversidade e os Serviços dos Ecossistemas (IPBES), a Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas e a UN Oceans.

A UICN, que tem como missão ser um líder mundial para a conservação e uma voz única para a natureza, apoia projetos de conservação em cerca de 160 países e é a responsável pela Lista Vermelha que avalia o risco de ameaça para mais de 166 mil espécies.

Esta União internacional depende do apoio dos seus 1400 membros – desde Estados e agências governamentais a organizações não governamentais e instituições científicas de todo o mundo -, e de donativos de fundações, governos e privados.

Segundo o mais recente relatório anual, referente a 2024, 43% das suas receitas vieram de governos, 35% de agências multilaterais e convenções; 6% vieram de fundações e o setor privado ficou representado por 2%.

Agora, a UICN está prestes a perder o seu quinto maior doador, os Estados Unidos. Os cinco maiores doadores em 2024 foram a Global Environment Facility, seguida do Governo da Alemanha, do Green Climate Fund, da Comissão Europeia e dos Estados Unidos.

Este parece ser um caminho diferente daquele que teve início em 2017, quando foi fundado o Comité Nacional norte-americano da UICN. Este foi criado para “encorajar a cooperação entre os membros norte-americanos e facilitar a sua contribuição para o programa e governância da UICN”.

Francisco Ferreira, presidente da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, considera “profundamente lamentável e dramática para o mundo” a saída dos Estados Unidos destas organizações e convenções, especialmente “numa altura em que é preciso implementar com urgência soluções globais para crises planetárias”.

O responsável lembra que o “planeta vive três grandes crises globais e de longo prazo: crise climática, decrescimento da biodiversidade e excesso de uso de recursos naturais e poluição, para além de uma crise de paz”.


Saiba mais.

Leia sobre as consequências que terá a saída dos EUA da UICN, de acordo com três especialistas ouvidos pela Wilder, aqui.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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