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Quando apadrinhar uma coruja ou um ouriço se torna uma prenda de Natal

19.12.2025
leitura de 3 minutos

Apadrinhar um animal selvagem em recuperação é sempre boa ideia. Na altura do Natal cumpre mais uma função: resolver a questão, tantas vezes difícil, do que oferecer. Conheça a campanha de apadrinhamento de Natal destes dois centros de recuperação de fauna selvagem.

Desde 2009 que o CERVAS e o RIAS se juntam para fazer uma campanha de apadrinhamento de Natal conjunta. O CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens) está em Gouveia e tem, neste momento, 45 animais aos seus cuidados; o RIAS (Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens) fica em Olhão e tem 46.

“A nossa campanha de apadrinhamento de Natal é feita desde 2009, entre o CERVAS e o RIAS, pois foi a partir desse ano que a Associação ALDEIA passou a gerir ambos os centros, em parceria com o ICNF e com o apoio da ANA – Aeroportos de Portugal”, explicaram à Wilder as equipas dos dois centros.

Segundo estes dois centros, “o apoio financeiro associado aos apadrinhamentos é um complemento aos financiamentos de que os centros dispõem”.

Além disso, acrescentam, “permite também envolver as pessoas mais diretamente nos processos de recuperação e devolução à Natureza, numa perspetiva de educação ambiental e divulgação da biodiversidade, muitas vezes dando a conhecer espécies menos comuns ao público em geral”.

Normalmente, são os centros de recuperação que selecionam quais os animais que as pessoas podem apadrinhar. As espécies escolhidas são as que cada centro acaba por ter mais frequentemente em recuperação.

“No caso do RIAS temos peneireiro-comum (Falco tinnunculus), mocho-galego (Athene noctua), coruja-do-mato (Strix aluco), ouriço (Erinaceus europaeus), gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis), cegonha-branca (Ciconia ciconia), camaleão-comum (Chamaeleo Chamaeleon) e cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa). No caso do CERVAS, de momento sugerimos corujas-do-mato, corujas-das-torres, mochos-galegos e águias-d´asa-redonda.”

Os padrinhos têm vários benefícios, dependendo da modalidade de apadrinhamento escolhida. A simples, de 35 €, dá direito a um certificado de apadrinhamento e à possibilidade de devolução à natureza de um animal da espécie apadrinhada.

Já o Super Padrinho, no valor de 50 €, inclui, além daqueles dois benefícios, uma visita guiada (máximo 2 pessoas) às instalações do centro, no Dia Aberto do RIAS/CERVAS, e dois brindes de merchandising do RIAS.

Talvez um dos benefícios mais aguardados seja a possibilidade de assistir à devolução à natureza do animal que esteve em recuperação. Segundo as equipas destes dois centros, esta é uma oportunidade de “criar uma maior sensibilização ambiental através de uma experiência mais próxima e personalizada, gerando também a sensação de participação nos esforços de recuperação de vida selvagem em Portugal”. 

No caso do RIAS e do CERVAS, a adesão às campanhas de apadrinhamento de Natal “ronda os 20 a 30 novos padrinhos a cada ano, além dos que vão apadrinhando ao longo do ano em cada um dos centros”.

E quem mais apadrinha? “Há um pouco de tudo, desde apadrinhamento em família até ofertas a crianças, aos pais, avós ou namorados/as”, respondem.

Neste momento, o RIAS tem 46 animais em recuperação, com destaque para um grifo-euroasiático, um texugo, algumas crias de ouriço-europeu e gaivotas. Já o CERVAS tem 45 animais, entre eles quatro abutres-pretos, um milhafre-real e várias aves de rapina noturnas (corujas-do-mato, corujas-das-torres, mochos-galegos).

Mas há mais centros de recuperação de fauna selvagem em Portugal. Aqui fica a lista para poder escolher, se preferir, de acordo com a proximidade à sua área de residência:

ALBUFEIRA

Porto de Abrigo do ZOOMARINE (Animais marinhos: mamíferos e répteis) – 289 560 300

AVINTES 

Parque Biológico de Gaia (aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – 227 878 120

CASTELO BRANCO

CERAS – Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – 272 339 900 | 963 957 669 | 962 946 425 – [email protected]

ÉVORA 

CARAS – Centro de Acolhimento e Recuperação de Animais Silvestres (aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – – 963 047 679 | [email protected]

GERÊS 

Centro de Recuperação de Fauna Selvagem do Parque Nacional da Peneda-Gerês (Aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – 253 390 110

GOUVEIA 

CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – 919 457 984

ÍLHAVO

CRAM-ECOMARE – Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (animais marinhos: aves, mamíferos e répteis) – 919 618 705 – [email protected]

LISBOA 

LxCRAS – Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa (aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – [email protected]

OLHÃO 

RIAS – Centro de Recuperação de Investigação Animais Selvagens da Ria Formosa (aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – 289 702 071 | 927 659 313 – [email protected]

VILA NOVA DE SANTO ANDRÉ 

CRASSA – Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Sto. André (aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – 925 403 833 – [email protected]

VILA REAL 

CRAS-HVUTAD – Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes-e-Alto-Douro (aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – 259 350 601 | 935 180 020

VILAR – CADAVAL 

Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Montejunto (aves, mamíferos terrestres, répteis, anfíbios) – 910 024 789 | 913 523 254

 

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.

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