Este ano que está prestes a terminar, os curadores, investigadores e associados científicos do Museu de História Natural de Londres descreveram um total de 262 novas espécies para a Ciência.
Foram 12 meses de recolha, estudo e catalogação da extraordinária diversidade de vida na Terra, desde as profundezas do Oceano Pacífico até às luxuriantes florestas tropicais da Tanzânia.
Entre as espécies descritas este ano encontram-se novos sapos e peixes, briozoários, borboletas, abelhas e algumas espécies de tubarões antigos.
“Perante a emergência planetária em curso, a corrida para descrever novas espécies animais e vegetais intensifica-se, antes que seja tarde demais. O trabalho dos nossos cientistas demonstra quanto ainda há por descobrir sobre o mundo natural”, segundo o Museu de História Natural londrino.
Borboletas cintilantes
Este ano, o maior número de novas espécies descritas (81 espécies) pertence a traças e borboletas, um grupo conhecido coletivamente como Lepidoptera. Entre as novas espécies está uma traça baptizada em homenagem à ativista climática sueca Greta Thunberg.

©Mark Sterling
As mais vistosas foram as chamadas borboletas-joia do género Hypochrysops. O associado científico daquele Museu, John Tennent, co-assinou uma revisão deste grupo, que inclui espécies com asas iridescentes de tons metálicos azuis, verdes e laranja.
Muitas destas novas borboletas provêm das ilhas do Sudeste Asiático, incluindo a Indonésia e a Papua-Nova Guiné. Uma das espécies, a Hypochrysops borneensis, tem asas de um laranja intenso, delimitadas por grossas linhas pretas. Foi observada a esvoaçar a grande altitude sobre as copas da floresta tropical do Bornéu, sob o sol da tarde.
Invertebrados extraordinários
Às novas borboletas e traças juntam-se outros invertebrados, incluindo 24 escaravelhos, quatro vespas, três vermes planos, uma mosca, uma abelha, uma formiga e um inseto-cochonilha.
Os cientistas exploraram também as profundezas do oceano, mapeando e documentando a vida extraordinária encontrada a 5.000 metros de profundidade no Oceano Pacífico, numa região conhecida como Zona Clarion-Clipperton.

Esta área desperta grande interesse devido aos minerais que cobrem o fundo do mar sob a forma de nódulos polimetálicos. Uma das novas espécies descritas este ano — um coral branco fantasmagórico com uma franja em forma de leque, agora denominado Deltocyathus zoemetallicus — foi encontrada a crescer sobre esses nódulos.
Os investigadores descreveram ainda três novas espécies de vermes poliquetas que vivem nos sedimentos em redor desses minerais.
Noutras regiões oceânicas, foram identificadas oito novas espécies de copépodes parasitas, dois anfípodes e dois caranguejos.
Anfíbios de alguns dos locais mais húmidos do planeta
Em terra firme, 2025 foi um ano notável para anfíbios e répteis, com a descrição de 42 novas espécies.
Muitas destas provêm do nordeste da Índia. O associado científico do museu, Deepak Veerappan, participou na descrição de 13 espécies de rãs e dois lagartos agamídeos desta região, uma das mais húmidas do mundo. A estas juntam-se 11 novas espécies de serpentes, incluindo a Xylophis chenkaruppan, uma espécie particularmente bela.
Nos planaltos da África Oriental, foram descritas três novas espécies de rãs arborícolas que dão à luz crias vivas. Estes anfíbios invulgares do género Nectophrynoides foram identificados através da comparação do ADN com o tamanho e a morfologia corporal de espécies conhecidas da Tanzânia.

“Estas descobertas sublinham a diversidade dos sapos vivíparos, bem como a importância de proteger as florestas da África Oriental”, afirma o curador Simon Loader, que participou na descrição das novas espécies. “Se perdermos estas florestas, perderemos uma das formas mais invulgares de reprodução entre os anfíbios.”
“Só continuando a explorar estas regiões pouco conhecidas e a protegê-las poderemos ter uma visão mais completa da diversidade que albergam e garantir que estará disponível para estudo pelas gerações futuras.”
Ainda este ano, foi descrita uma nova cecília — um tipo de anfíbio sem membros —, bem como três novas espécies de osgas de grutas no Camboja. A estas juntam-se quatro novos peixes do Lago Malawi e do rio Cunene, no sul de África, e uma nova espécie de musaranho-de-dentes-vermelhos da China.
Novas espécies a partir de rochas antigas
Mas nem todas as espécies descritas por aqueles cientistas ainda vivem entre nós. Os investigadores têm também estudado a diversidade da vida pré-histórica preservada nas rochas.
Entre estas descobertas encontra-se um novo dinossauro, o Enigmacursor mollyborthwickae. Inicialmente encontrado na Formação Morrison, no Colorado (EUA), este animal do tamanho de um cão era um verdadeiro enigma taxonómico. Após uma análise exaustiva de coleções e estudos anteriores, concluiu-se que os fósseis pertenciam a uma espécie até então desconhecida.

“Embora a Formação Morrison seja conhecida há muito tempo, a maior parte da atenção tem sido dada aos dinossauros maiores e mais impressionantes”, explica a paleontóloga Susie Maidment, que integrou a equipa responsável pela descoberta. “Os dinossauros de menor dimensão são muitas vezes negligenciados.”
O “Enigmacursor demonstra que ainda há muito para descobrir mesmo em regiões bem estudadas e destaca a importância de não aceitarmos pressupostos históricos sobre os dinossauros sem os questionar.”
Várias das novas espécies fósseis descritas este ano foram descobertas no Reino Unido, incluindo um dinossauro da Ilha de Wight. Também no sul de Inglaterra foram identificados um novo animal semelhante a um lagarto — possivelmente o primeiro rincocéfalo totalmente arborícola conhecido — e uma serpente com 37 milhões de anos.
Este ano foram descritas ainda oito novas espécies de tubarões fósseis, incluindo o Pararhincodon torquis, encontrado perto de Salisbury e Newhaven, no sul de Inglaterra, um parente distante dos atuais tubarões-tapete com colarinho que vivem em redor da Austrália e do Sudeste Asiático.
Uma série de fósseis das Montanhas do Atlas ajudou a resolver um mistério com 500 milhões de anos. A nova espécie, agora denominada Atlascystis acantha, está a ajudar os cientistas a compreender como as estrelas-do-mar desenvolveram os seus braços.
“Com o contributo dos nossos investigadores, a equipa de ‘limpeza’ dos oceanos pré-históricos ganhou destaque. Entre as novas espécies descritas este ano contam-se oito vermes ósseos com 100 milhões de anos, cujas galerias ficaram preservadas nos ossos fossilizados de antigos répteis marinhos”, segundo o Museu.
Entre as plantas e fungos também há novidades, incluindo um novo fungo com 400 milhões de anos que está a ajudar a compreender como as plantas colonizaram a terra firme. Graças a espécies como esta, que abriram caminho há milhões de anos, chegamos à última nova espécie do ano: Solanum stellaticalycinum, uma planta das florestas montanhas do centro do Peru.
“A descoberta e a descrição de novas espécies são sempre entusiasmantes e ajudam-nos a compreender melhor o mundo em que vivemos.” No ano passado, as equipas de investigadores deste Museu descreveram um total de 190 novas espécies para a Ciência.
Mas, “face à atual crise da biodiversidade, inúmeras espécies — tanto as que já conhecemos como as que ainda estão por descobrir — estão a ser empurradas para o limite. Para evitar novos declínios, é essencial continuar a descrever e a nomear novas espécies.”