Há 27 espécies de animais para descobrir na nova exposição do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. “SuperBichos! Incríveis por natureza” fica até setembro de 2026 para lhe mostrar os “superpoderes” do reino animal do nosso país.
No final de tarde de 24 de outubro, o Pavilhão do Conhecimento encheu-se de investigadores, de famílias com crianças e de curiosos para a inauguração da exposição dedicada ao mundo natural português. Antes de se abrirem as portas da exposição, no átrio do Pavilhão havia atividades para todos os gostos.


Numa mesa podiam-se ver aranhas ao microscópio e noutra saber como uma águia-de-bonelli vê o mundo, graças a uns óculos de realidade virtual.
Também era possível conversar com equipas de investigadores que trabalham na protecção da natureza e conhecer projetos de Ciência Cidadã dedicados à Biodiversidade nacional.
Para animar os visitantes, uma ave de penas coloridas e uma borboleta passeavam em cima de andas.
Tudo isto preparava os espíritos curiosos e naturalistas para o que a exposição reservava.
“Estamos habituados a ver animais incríveis em documentários sobre florestas tropicais ou savanas africanas, mas nesta exposição quisemos mostrar que nas nossas serras, rios, florestas e, até, nas cidades portuguesas vivem alguns dos seres mais velozes, fortes e engenhosos do planeta”, explicou à Wilder Sofia Lourenço, responsável pelo Departamento Expositivo do Pavilhão do Conhecimento.

Entre eles estão o lince-ibérico, o lobo-ibérico, a rã-verde, o sapo-comum e a coruja-das-torres.
O principal objetivo da exposição é mostrar os “superpoderes” do reino animal e das espécies com características extraordinárias que habitam não só o nosso planeta, mas também o nosso país.
“Como não podemos trazer estes “superbichos” para dentro do Pavilhão do Conhecimento, criámos experiências interativas que desafiam os visitantes a testar as suas habilidades e a colocar-se na pele destes animais extraordinários”, acrescentou.
São 27 as atividades para experimentar, cada uma relacionada com uma espécie selvagem.
Há um teste à nossa capacidade de ver em profundidade (águia-real) ou de uivar (lobo-ibérico), um morcegómetro, uma discoteca animal e uma simulação de como uma serpente nos vê.
Podemos ainda experimentar saltar mais do que uma rã-verde e outros animais “saltadores”, saltar com a leveza de um lince-ibérico, testar a nossa audição a frequências como as usadas pelos golfinhos ou correr o mais rápido que conseguirmos numa corrida virtual com animais selvagens.

A escolha das 27 espécies “foi feita tendo em consideração que história podemos contar em cada módulo e tendo em conta a diversidade das espécies de animais que encontramos em Portugal, a sua conservação e projetos de ciência cidadã associados”, disse ainda a responsável. “Do pequeno camaleão, ao carismático lobo-ibérico, todos fazem sentido na Natureza do nosso país e na nossa exposição.”
Além das experiências para fazer, é possível conhecer histórias inspiradoras de conservação em Portugal. São nove investigadores que contam histórias de conservação de espécies como o lince-ibérico, o lobo-ibérico, o veado-vermelho, o roque-de-castro, o ruivaco-do-oeste, os morcegos, os polinizadores, as víboras e os cavalos-marinhos. Ao fundo da exposição, o visitante poderá ouvir e ver estes curtos testemunhos de cerca de dois minutos cada.
“Estas atividades aproximam o público destas espécies e permitem-lhe conhecê-las, valorizá-las e protegê-las”, comentou Sofia Lourenço.

A exposição foi originalmente produzida pelo Techmania Science Center, na Chéquia. “Esta exposição resulta da requalificação de uma exposição adquirida ao Techmania, um centro de ciência checo. Para isso, a nossa equipa visitou e estudou a exposição desde abril de 2024”, explicou Sofia Lourenço. “A requalificação consistiu na criação de uma nova narrativa para a exposição e, a partir daí, no desenvolvimento de novos conteúdos, desde legendas a filmes, até toda uma nova imagem e cenografia para a exposição.”
Esta é uma aventura feita a pensar em todas as idades.
“Cada módulo expositivo dá-nos a oportunidade de explorar a ciência por trás de um “superpoder”. Por exemplo, que características permitem ao falcão-peregrino voar tão rápido ou à coruja-das-torres ter uma audição tão apurada que constrói no seu cérebro um mapa auditivo. Para valorizarmos estas e outras espécies, é necessário conhecê-las”, acrescentou.
“Na exposição, damos a conhecer não só os “superpoderes” extraordinários destes animais, mas também um pouco sobre a sua situação e estatuto de conservação. Procuramos, ainda, inspirar o público a envolver-se ativamente, apresentando oportunidades de participação em projetos de ciência cidadã ligados à proteção destas espécies. Desta forma, convidamos cada visitante a tornar-se num verdadeiro “super-herói” da conservação.”